15 de mar. de 2012

Condicional


Mire as estrelas e acerte meu coração.
Decore cada gesto do meu sorriso.
Se esforce para ser o homem da minha vida.
Me vicie em você, até em seus defeitos.
Busque meu carinho sempre que lhe falharem as palavras,
mas não faça disso um artifício para me enganar.
Seja minha rotina de todas as manhãs.
Dê-me a chave dos seus segredos, o baú com seus sonhos.
Não me ofereça o guarda-chuva,
mas seja o meu abrigo nas horas de tempestade.
E me desenhe janelas ensolaradas.
Sucumba todo o caos e me furte até o conto de fadas mais próximo.
Deseje ser salvo só pelo meu abraço.
Atravesse o oceano pela minha afeição.
Tire tudo o que doer do dicionário.
Contemple os anos antes de nós
e compreenda a felicidade que você só conheceu depois.
Passeie na minha vida como quem veio para ficar. E fique.
E assegure que pelas próximas vidas seremos você e eu. 
Juntos e acontecendo.

f.

7 de mar. de 2012

Desrime, viva


Algumas vezes somos obrigados a escrever sem rimas, e às vezes não vale a pena nem tentar reescrever; às vezes a desarmonia soa mais bonita que a mais bonita das consonâncias. Isso porque versos rimados são pensados, articulados, mensurados para combinarem e parecerem perfeitos. Tudo o que não rima carrega a leveza das possibilidades, a liberdade para se chegar mais longe, a intensidade de uma segunda chance, e sua grandeza está no sentido do que se pretende cantar ao mundo, não em limitadas terminações gramaticais.

f.

5 de mar. de 2012

Do jeito que ficaste



Lembras o nosso encontro? O nosso primeiro? Estava eu, toda distraída, tentando dissimular o fato de estar desacompanhada, arriscando uma pose de mulher bem resolvida. E antes do espetáculo começar, nossos olhares se atingiram e se detiveram um no outro. Uma curiosidade aérea de saber quem eras e de onde vinhas pairou em meu instinto, ainda que frouxa, ainda que tímida. E tu, com ar acanhado, passavas por mim na desconfiança séria de te observarem. Ao fim, te aproximaste com uma proposta irrecusável - finalmente, decifraríamos nossos olhares, sem opções extras.
Teu olhar ficou. O momento ficou.
Tu não.

Não havia pretensão de me deixar cativar. Distanciar-me de minhas metas era um caminho extremo a seguir. A relutância me acompanhava os atos sempre medindo à exaustão minhas escolhas. No entanto, estavas mesmo disposto a conquistar-me e eu nunca completamente alheia aos teus esforços. Preparaste-me canções que diziam sobre nós todas as rimas inversas de dias passados. Embalamos nossas esperanças na dança que executamos sem ensaiar passos. Inspiraste-me vida nova, amor.
As canções ficaram. O romance ficou.
Tu não.

Sempre sonhei com um dia assim, em que, me desprendendo da mesmice, me entregando aos fatos, me satisfaria sem amarras na espontaneidade de voar o mais alto dos vôos. Confessaste-me lindos poemas em pleno ar, que diziam sobre ti o tanto de uma vida na qual gostaria eu de me vazar. E cada estrofe soou ecos pelo infinito, anunciando que já não era razoável jogar fora um carinho tão grande, que só cabia em nós e era só teu.
As confissões ficaram. Os sonhos ficaram.
Tu não.

Tivemos os mundos apartados e aos poucos aprendi a te ter por perto, mesmo que só dentro do coração. A vontade era mesmo a de te repetir por todo o resto da vida. Sabe-se lá o que pensa Deus para unir e depois separar, mas não cabe a mim, nem a ti julgar as circunstâncias. O nosso tempo não estava errado, errado estava o tempo dessincronizado. Porque, afinal, o que era assunto sério para ti, era diversão para mim; fazias parte do show, eu da platéia; tudo que precisávamos era nos encontrar.
Teu nome ficou. A ausência ficou.
Tu não,
mas quem sabe um dia voltes.

f.


Inspirou-me:
Hoje eu ouço as canções que você fez pra mim
Não sei por que razão tudo mudou assim
Ficaram as canções e você não ficou
Esqueceu de tanta coisa que um dia me falou
Tanta coisa que somente entre nós dois ficou
Eu acho que você já nem se lembra mais
As canções que você fez pra mim – Roberto Carlos

2 de mar. de 2012

Carta de amor de um homem notável



Bom dia, em 7 de julho

Mesmo antes que eu me levante, meus pensamentos se dirigem a ti, minha Amada Imortal, às vezes com alegria, às vezes com tristeza, à espera de que o destino nos escute. Só posso viver totalmente contigo ou não viver. Decidi errar por lugares distantes até poder voar para teus braços e me sentir em casa contigo e poder enviar minha alma cercada de ti para o reino dos espíritos. Sim, lamento, deve ser assim. Irás superá-lo com mais facilidade sabendo da minha fidelidade a ti; outra jamais poderá se apossar de meu coração, jamais! Oh, Deus! Por que precisamos estar separados daquilo que amamos? E, no entanto, a vida que estou levando em W. é miserável. Teu amor fez de mim o mais feliz dos homens, e o mais infeliz. Na minha idade é preciso ter alguma continuidade, uma vida estável. Será que isso é possível numa situação como a nossa? Meu anjo, acabo de saber que a correspondência é remetida diariamente, portanto, preciso encerrar para que possas receber esta carta imediatamente. Fica tranqüila, ama-me hoje e ontem.
Em lágrimas, anseio por ti, minha vida, meu tudo, adeus. Oh! Não deixes de me amar e jamais duvides do coração mais fiel.

Do teu amado,
L.

Para sempre vosso
Para sempre minha
Para sempre nosso



Trecho retirado do livro Cartas de amor de homens notáveis [Love letters of great men, 2008], organizado por Ursula Doyle. Capítulo dedicado a cartas de Ludwig van Beethoven a sua Amada Imortal, pág. 69.

1 de mar. de 2012

O maior desejo do mundo



Queria que você existisse 
do lado de cá, 
assim como existe 
do lado de dentro.

f.

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