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2 de mar. de 2012

Carta de amor de um homem notável



Bom dia, em 7 de julho

Mesmo antes que eu me levante, meus pensamentos se dirigem a ti, minha Amada Imortal, às vezes com alegria, às vezes com tristeza, à espera de que o destino nos escute. Só posso viver totalmente contigo ou não viver. Decidi errar por lugares distantes até poder voar para teus braços e me sentir em casa contigo e poder enviar minha alma cercada de ti para o reino dos espíritos. Sim, lamento, deve ser assim. Irás superá-lo com mais facilidade sabendo da minha fidelidade a ti; outra jamais poderá se apossar de meu coração, jamais! Oh, Deus! Por que precisamos estar separados daquilo que amamos? E, no entanto, a vida que estou levando em W. é miserável. Teu amor fez de mim o mais feliz dos homens, e o mais infeliz. Na minha idade é preciso ter alguma continuidade, uma vida estável. Será que isso é possível numa situação como a nossa? Meu anjo, acabo de saber que a correspondência é remetida diariamente, portanto, preciso encerrar para que possas receber esta carta imediatamente. Fica tranqüila, ama-me hoje e ontem.
Em lágrimas, anseio por ti, minha vida, meu tudo, adeus. Oh! Não deixes de me amar e jamais duvides do coração mais fiel.

Do teu amado,
L.

Para sempre vosso
Para sempre minha
Para sempre nosso



Trecho retirado do livro Cartas de amor de homens notáveis [Love letters of great men, 2008], organizado por Ursula Doyle. Capítulo dedicado a cartas de Ludwig van Beethoven a sua Amada Imortal, pág. 69.

2 de jun. de 2011

Ali, por trás do crachá e do uniforme, estava seu eu verdadeiro, guardado em segredo, acumulando-se em silêncio.

[Terceira Parte - Reparação]
Ian McEwan

20 de fev. de 2011

E se você tem a capacidade de amar



... ame primeiro a si mesmo
mas esteja sempre alerta para a possibilidade de uma
derrota total
mesmo que a razão para essa derrota
pareça certa ou errada -

[Como Ser Um Grande Escritor - O Amor É Um Cão Dos Diabos]
Charles Bukowski

7 de fev. de 2011



"[...] e tudo que eu andava fazendo e sendo eu não queria que ele visse nem soubesse, mas depois de pensar isso me deu um desgosto porque fui percebendo, por dentro da chuva, que talvez eu não  quisesse que ele soubesse que eu era eu, e eu era. Começou a acontecer uma coisa confusa na minha cabeça, essa história de não querer que ele soubesse que eu era eu, encharcado naquela chuva toda que caía, caía, caía e tive vontade de voltar para algum lugar seco e quente, se houvesse, e não lembrava de nenhum, ou parar para sempre ali mesmo naquela esquina cinzenta que eu tentava atravessar sem conseguir, os carros me jogando água e lama ao passar, mas eu não podia, ou podia mas não devia, ou podia mas não queria ou não sabia mais como se parava ou voltava atrás, eu tinha que continuar indo ao encontro dele, que me abriria a porta, o sax gemido ao fundo e quem sabe uma lareira, pinhões, vinho quente com cravo e canela, essas coisas do inverno, e mais ainda, eu precisava deter a vontade de voltar atrás ou ficar parado, pois tem um ponto, eu descobria, em que você perde o comando das próprias pernas, não é bem assim, descoberta tortuosa que o frio e a chuva não me deixavam mastigar direito, eu apenas começava a saber que tem um ponto, e eu dividido querendo ver o depois do ponto e também aquele agradável dele me esperando quente e pronto."
[Além Do Ponto - Morangos Mofados]
Caio Fernando Abreu 

30 de mai. de 2010

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"[...] Te desejo uma fé enorme, em qualquer coisa, não importa o quê, como aquela fé que a gente teve um dia, me deseja também uma coisa bem bonita, uma coisa qualquer maravilhosa, que me faça acreditar em tudo de novo, que nos faça acreditar em tudo outra vez, que leve para longe da minha boca este gosto podre de fracasso, este travo de derrota sem nobreza, não tem jeito companheiro, nos perdemos no meio da estrada e nunca tivemos mapa algum, ninguém dá mais carona e a noite já vem chegando."


[Os Sobreviventes – Morangos Mofados]
Caio Fernando Abreu
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18 de mai. de 2010

Com amor, f.



Rosie,
Estou  voltando  para  Boston  amanhã,  mas  antes  de  ir  gostaria de
escrever  esta  carta.  Todos  os  pensamentos  e  sentimentos  que  têm  estado
borbulhando dentro de mim estão finalmente  transbordando desta caneta e
deixo  esta  carta  para  que  não  se  sinta  como  se  a  estivesse  pressionando.
Compreendo  que  vá  precisar  de  tempo  para  se  decidir  a  respeito  do  que
estou prestes a dizer.
Cei  o  que  está  acontecendo,  Rosie.  Você  é  minha  melhor  amiga
posso ver a tristeza em seus olhos. Cei que Greg não está fora trabalhando
no  fim  de  semana.  Você  nunca  conseguiu  mentir  para  mim,  sempre  foi
horrível nisto. Seus olhos a traem de tempos em tempos. Não finja que tudo
está  perfeito,  porque  vejo  que  não  está.  Vejo  que  Greg  é  um  homem
egoísta, que não faz absolutamente  idéia da sorte que tem, e isto me deixa
doente.
Ele é o homem mais afortunado do mundo por tê-la, Rosie, mas não
a merece e você merece muito mais. Você merece alguém que a ame a cada
batida  de  seu  coração,  alguém  que  pense  a  seu  respeito  a  cada  instante,
alguém  que  passe  cada minuto  do  dia  apenas  se  perguntando  o  que  você
está  fazendo, onde  está, com quem está e  se  está bem. Precisa de alguém
que  possa  ajudá-la  a  alcançar  seus  sonhos  e  protegê-la  de  seus  medos.
Alguém  que  vá  tratá-la  com  respeito,  que  ame  cada  lado  seu,
especialmente suas falhas. Você deveria estar com alguém que possa fazê-
la  feliz,  realmente  feliz,  flutuando  de  felicidade. Alguém  que  deveria  ter
aproveitado  a  chance  de  estar  com  você  anos  atrás,  em  vez  de  ter  se
assustado e se amedrontado demais para tentar.
[...]Eu nunca deveria ter deixado que seus lábios se afastassem dos meus
anos  atrás  em  Boston. Numa  deveria  ter me  afastado. Nunca  deveria  ter
entrado em pânico. Nunca deveria  ter passado  todos esses anos sem você.
Dê-me uma chance de compensá-los. Amo você, Rosie, e quero estar com
você e Katie e Josh, Para sempre.

Com todo o meu amor,
Alex


Trecho retirado do livro Onde Terminam os Arco-Íris [Where Rainbows End, 2005], da Cecelia Ahern. Cap. 19, pág. 134.


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