30 de mai. de 2010

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"[...] Te desejo uma fé enorme, em qualquer coisa, não importa o quê, como aquela fé que a gente teve um dia, me deseja também uma coisa bem bonita, uma coisa qualquer maravilhosa, que me faça acreditar em tudo de novo, que nos faça acreditar em tudo outra vez, que leve para longe da minha boca este gosto podre de fracasso, este travo de derrota sem nobreza, não tem jeito companheiro, nos perdemos no meio da estrada e nunca tivemos mapa algum, ninguém dá mais carona e a noite já vem chegando."


[Os Sobreviventes – Morangos Mofados]
Caio Fernando Abreu
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29 de mai. de 2010

Um Breve Conto Sobre a Sua Ausência


Parou para observar o cenário. Nulo, vazio. Havia andado por horas, talvez quilômetros. Solto com o vento, seus pensamentos o levaram para qualquer lugar. Havia se perdido dentro daquela dor, e embora não fosse de seu feitio sentir medo, estava cheio dele, dos mais profundos, dos mais covardes. Estava só. Por dentro e por fora. Tanto se entregara àquelas sensações, e a cada lembrança vivida, que agora não sabia como limpar a tatuagem em seu corpo, mais que isso, em sua alma. Era como uma tortura.O que ser sem você?, pensava, já que era tudo com ela. E seu dia nublado passou a contrastar com o dia ensolarado dos outros. E daquele olhar taciturno saíram lágrimas que gritavam desespero e inconformismo. Mais uma vez quis buscar as respostas. Mas o céu continuava azul, as pessoas ainda seguiam apressadas e automáticas as suas rotinas e o trânsito ainda era barulhento. E milhares de outros acontecimentos que seu cérebro simplesmente ignorava se sucediam naqueles segundos. E ninguém parecia se importar com o que estava acontecendo. Por que não se rendiam a sua tristeza? E por que deveriam? Apesar de parecer alcançar todos os limites geográficos, aquela dor era só dele. Mesmo assim, achava que o mundo inteiro merecia conhecer a sua história. Deus, como amara aquela mulher! As suas loucuras, sua sabedoria, sua respiração, seus traços doces e simples, seu sorriso que significava o ocaso de toda e qualquer chateação. Em troca, os seus melhores sorrisos, ele guardava para ela. Admirava a sua força e por ela ser a sua o medo lhe era obsoleto. Lembrou-se de certa conversa, quando uma vez tiveram que se separar. Uma frase que ela declarou e jamais foi capaz de esquecer: É quando você não está que eu te amo mais. De alguma forma, isso fazia todo o sentido. Ainda bem que ela existia, mas isso não era suficiente. Não! Ainda bem que ela existia e que fora feita para ele. Sabia pelas horas em que seus olhares se tocavam, na forma como suas mãos eram hábeis em se expressar, quando seus corpos pulsavam o mesmo ritmo e seus pensamentos se confundiam. Agora seu coração ferido tentava silenciar todos aqueles pedaços de extrema felicidade que insistiam em sobreviver, porque agora eles pertenciam ao passado e não eram mais dele. Um raro momento quando a felicidade envia o sofrimento ou quando a pessoa se perde de vez dela. Por muitas vezes, como um ritual quase diário, se encontraria andando por aí sem rumo, tentando descobrir os motivos pelos quais as pessoas ainda sorriam e se perguntando a quem daria os seus melhores. E olhava para o nada, lembrando daquelas palavras proferidas numa última conversa por telefone, sentindo-as à flor da pele: É quando você não está que eu te amo mais. Duraria um tempo para entender o propósito de tudo aquilo.




- E o que fazer ao fim do dia?
- Recomeçar!

f.

18 de mai. de 2010

Com amor, f.



Rosie,
Estou  voltando  para  Boston  amanhã,  mas  antes  de  ir  gostaria de
escrever  esta  carta.  Todos  os  pensamentos  e  sentimentos  que  têm  estado
borbulhando dentro de mim estão finalmente  transbordando desta caneta e
deixo  esta  carta  para  que  não  se  sinta  como  se  a  estivesse  pressionando.
Compreendo  que  vá  precisar  de  tempo  para  se  decidir  a  respeito  do  que
estou prestes a dizer.
Cei  o  que  está  acontecendo,  Rosie.  Você  é  minha  melhor  amiga
posso ver a tristeza em seus olhos. Cei que Greg não está fora trabalhando
no  fim  de  semana.  Você  nunca  conseguiu  mentir  para  mim,  sempre  foi
horrível nisto. Seus olhos a traem de tempos em tempos. Não finja que tudo
está  perfeito,  porque  vejo  que  não  está.  Vejo  que  Greg  é  um  homem
egoísta, que não faz absolutamente  idéia da sorte que tem, e isto me deixa
doente.
Ele é o homem mais afortunado do mundo por tê-la, Rosie, mas não
a merece e você merece muito mais. Você merece alguém que a ame a cada
batida  de  seu  coração,  alguém  que  pense  a  seu  respeito  a  cada  instante,
alguém  que  passe  cada minuto  do  dia  apenas  se  perguntando  o  que  você
está  fazendo, onde  está, com quem está e  se  está bem. Precisa de alguém
que  possa  ajudá-la  a  alcançar  seus  sonhos  e  protegê-la  de  seus  medos.
Alguém  que  vá  tratá-la  com  respeito,  que  ame  cada  lado  seu,
especialmente suas falhas. Você deveria estar com alguém que possa fazê-
la  feliz,  realmente  feliz,  flutuando  de  felicidade. Alguém  que  deveria  ter
aproveitado  a  chance  de  estar  com  você  anos  atrás,  em  vez  de  ter  se
assustado e se amedrontado demais para tentar.
[...]Eu nunca deveria ter deixado que seus lábios se afastassem dos meus
anos  atrás  em  Boston. Numa  deveria  ter me  afastado. Nunca  deveria  ter
entrado em pânico. Nunca deveria  ter passado  todos esses anos sem você.
Dê-me uma chance de compensá-los. Amo você, Rosie, e quero estar com
você e Katie e Josh, Para sempre.

Com todo o meu amor,
Alex


Trecho retirado do livro Onde Terminam os Arco-Íris [Where Rainbows End, 2005], da Cecelia Ahern. Cap. 19, pág. 134.

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viver...


                                 amar...  



               arriscar...




...não necessariamente nesta ordem.



3 de mai. de 2010


Ela sempre acreditou que a Felicidade se escondia em algum lugar dentro de si mesma. Ela tinha o poder de evocar essa tal felicidade quando quisesse, ela sabia. E mesmo quando a Felicidade, acanhada por si só, se recusava a se mostrar, ela tinha certeza que aquilo era temporal. Até a Dona Felicidade vivia seus dias mais reservados. Mas naquele momento, naquela determinada ocasião, ela sentia, pelo sentimento que se transfigurava em vazio, que a Felicidade não mais coexistia consigo...

f.

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