Mostrando postagens com marcador Desabafo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Desabafo. Mostrar todas as postagens

24 de set. de 2025

Em dois anos de pandemia

 


Eu me abandonei para cuidar dos outros.

Desisti de mim para viver outras vidas.

Me anulei para afagar egos.

Me resignei para ser aceita.

Me calei para evitar conflitos.

Parei de me defender porque me sentia errada.

Eu paralisei pelo medo.

Me ignorei porque achei que não era boa o bastante.

Acreditei em todos, menos em mim.

Me tornei invisível porque era seguro.

Permaneci no escuro por causa da dor.

Neguei o caos e vivi uma mentira sufocante.

Invalidei o que sentia porque não tinha direito.

Me rejeitei para não ser rejeitada.

Me afastei para não incomodar.

Me escondi para não enfrentar o luto.

Me sabotei porque não me sentia capaz.

Afastei as pessoas para que não vissem meu fracasso.

Afundei no lodo porque perdi todas as esperanças.

Me culpei para não me sentir tão vítima.

Eu fugi para não encarar o pânico.

Gritei por socorro, mas só tinha silêncio.

Parei de tentar para não correr o risco de errar.

 

Até que morri para recomeçar.


f.


30 de jul. de 2014

Do que está dentro


Se preocupa, não, moreno, que hoje sou eu quem vai falar. Não meu orgulho, ou egoísmo, ou o que quer que se atreva a assustá-lo com exigências arbitrárias. Senta um pouco que o papo vai ser longo e pode até cansar, mas te juro, é preciso dizer tudo de uma vez. E quero, antes, deixar registrado para que você não confunda um simples desabafo com cobrança. Porque, não, não é sobre você, é sobre mim.
Desculpa se só enxergo agora, mas foi sempre-sobre-mim: as idealizações exacerbadas, as reclamações tolas e copiosas, os pedidos infantis e o resto da baboseira toda. Tudo eu tentando fazer você acreditar que ainda sou a melhor para você e a verdade é que, talvez, eu não seja mesmo. Mas, tudo bem, porque resolvi sair da clausura do quarto para buscar minha redenção. Percebeu? Já é um começo! Só que, dessa vez, não vou simplesmente esperar que o tempo feche, cure, passe, conforte e o diabo a quatro.
Eu descobri, moreno, o que estava na minha frente este tempo todo. A placa de saída, bem no meio da minha testa. Sou eu quem precisa mudar. Sou eu quem precisa superar os traumas. E eu estou, cara, cheia deles. Bem lá no fundo, monstros de anos e anos, até de antes de você chegar. Todos acumuladinhos, espremidinhos por todo canto.
Eu sofro de raiva, moreno. Em metástase. Tem raiva no fígado, raiva nos pulmões, na garganta, nas palavras, nas rugas da cara fechada. Tudo aqui, esse tempo inteiro, e eu apontando os problemas para os rumos errados. O problema sou eu. E a solução está em mim. Não em você ou no próximo relacionamento falido. Porque é assim que ele e qualquer outro terminarão se eu insistir em carregar essa fúria comigo. Já tá pesando, sabe. E é hora de desocupar a bagagem.
Não queria ter que dizer o quanto o quadro é complicado para não se tornar um mantra, mas, você precisa ter ciência de que leva algumas estações até sarar. E, não, issaquí tampouco é um pedido de espera. É só pra você saber que eu estava certa o tempo todo. E estava lá, no meio das nossas conversas, a resposta, prontinha pra gente. Pra mim. Você é mesmo minha alma gêmea, moreno. Bem como lhe falei naqueles primeiros e-mail trocados, sem conhece-lo direito.
Citei o livro que tinha lido. Destaquei a passagem que fiquei remoendo horas a fio, pois não sabia se concordava por completo. Dizia assim: “[...] As pessoas acham que a alma gêmea é o encaixe perfeito, e é isso que todo mundo quer. Mas a verdadeira alma gêmea é um espelho, a pessoa que mostra tudo que está prendendo você, a pessoa que chama sua atenção para você mesmo para que você possa mudar a sua vida. Uma verdadeira alma gêmea é provavelmente a pessoa mais importante que você vai conhecer, porque elas derrubam as suas paredes e te acordam com um tapa [...] As almas gêmeas só entram na sua vida para revelar a você uma outra camada de você mesmo, e depois vão embora.”
Você deve imaginar muito melhor agora essa minha dificuldade para deixar as coisas e pessoas irem. Porque continuo almejando que você fique. Mas é você, moreno. Agora eu sei, você tinha que me mostrar o que estava me matando. E eu precisava saber antes que isso me eliminasse sem, ao menos, me dar a chance de tentar uma cura. E, olha, já entendo que eu não preciso ser a sua alma gêmea também. Reciprocidade é algo que a raça humana inventou para massagear o ego. Eu esperei tantas coisas em troca e isso só me deixou mais doente quando elas não saíram conforme as minhas expectativas. Mas, amor se dá e só.
Agora tenho que puxar parte desse afeto pra mim. É apenas um componente do processo, senão não faria sentido “amar o próximo como a si mesmo”. Que tipo de apreço seria esse, afinal? Estou assimilando as respostas e concretizando uma recuperação. É lenta, viu, e às vezes parece não ter jeito. Mas te digo que é preciso parar um pouco de conjecturar teorias sobre tudo e olhar mais para dentro de si mesmo. Às vezes, a gente se perde ao se distanciar do eu verdadeiro e o resultado de quem a gente se torna nem sempre é uma reação positiva.
Então isso aqui é para você saber que agora estou muito mais na minha. Que eu não quero o que você não pode me dar. Que você não deve se sentir cobrado por nada. Que você não é o único responsável por aquilo que cativa. Que eu não preciso de um pai ou guardião... Só te peço um pouco de cuidado para não desenvolver compaixão de mais em vez de respeito.
Essa mudança não é por você, moreno, é por mim. E, claro, você pode segurar minha mão, se quiser. Mas só se quiser.


f.

15 de jun. de 2014

O mundo dentro de nós

’Cause all of me
Loves all of you
-John Legend


Nossas mãos brincando entre si, preguiçosas. É tudo ao que assisto nessa entorpecente tarde, enquanto, vagarosamente, desenho um sorrisinho, daqueles que a cada minuto se dá conta de toda magia invisível. O colchão é um lar que recebe da vidraça as frestas da luz que entra. O mundo lá fora é só mais um planeta avulso que não faz ideia do amor que aflora entre quatro paredes e o infinito. E debaixo da nossa janela ensolarada, uma ternura incontável pela vida que ainda vai acontecer. Ele me promete sorvete de leite condensado, faz mais ou menos uma hora. Mas ele não vai. Nem eu insisto. A geladeira parece tão além do que se consegue esperar, que seria perda de tempo tentar. Está tudo tão quieto e eu adoro fazer esse nada com ele. É nessa maré que me dou conta do quanto já conheço cada dobrinha, cada ruga e formato dos seus dedos. E não tem volta. O tempo nem parece andar e eu só posso pedir para que cada segundo se alargue na sensação de horas. Está tudo tão fora da realidade agora que se fosse acaso eu até tenho certeza de que me apaixonaria de novo uma centena de vezes mais. É tanta intensidade e querência! Desejo seus beijos mais que água. Só que olho pro lado e ele quase dorme. Paraliso. Eu queria, queria fazê-lo compreender sem profusão de verbo que o espaço que ele ocupa é bem maior do que o que, normalmente, proponho. São dele os arrepios e as promessas de mindinho. O plano A e o plano B. Os filhos com o nome dos nossos ídolos e os passeios mais memoráveis pelas esquinas do mundo. Eu queria fazê-lo perceber o chão tremendo quando o meu coração pula acelerado, ainda, depois de tanto tempo, pelo menor indício de elogio e admiração. Quando ninguém mais consegue alcançar o que atravessa meus pensamentos esquisitos, eu sei que posso confiar a ele os esconderijos, os alarmes e os amanhãs. Que afora dores e partidas, hoje escrevo muito mais sobre os abraços. Que ele me fez renascer para a vida que eu havia enterrado numa rotina maçante e cômoda, sem fazer cálculo de toda a perda. Eu sou ele um pouco mais que a mim mesma, em boa parte dos dias, embora isso seja mais censurável que poético. E whatever! Entre mudanças de opinião e alguns pontos de vista, ele continua sendo meu reflexo e nossas falhas tão cúmplices quanto sempre. Ah, eu queria fazê-lo entender que nenhum presente de aniversário, natal ou dia dos namorados vai me improvisar sentimento melhor do que o que chega com suas intenções de carinho. E é tão bom sentir que nós nos completamos. Não que isso sugira alguma falta, mas juntos, ficamos mais bonitos. E somos mais fortes. E encontramos mais coragem. E nossa coleção de música e livros cresce. E as segundas-feiras se tornam mais fáceis. E a vida vale um pouco mais a pena. Às vezes, eu só desejo me fundir nos seus braços-de-casa e morar lá até o fim. Mas as únicas palavras que solto são que o amo. Mesmo querendo despejar todas essas outras urgências, eu só consigo articular o tantão do básico: eu-te-amo. De olhos cerrados, ele só abre um daqueles sorrisos cínicos. De alguma forma ele sabe.

f.

13 de mai. de 2014

Ainda tão sua

Se não sabe, se afaste de mim.
Se ainda cabe, me abrace enfim.
-Nando Reis


Você costumava ter um olhar tão repleto de brilho que eu conseguia ver, até mesmo a metros de distância, que era eu quem provocava essas fagulhas, que sempre me lembravam das estrelas em noite de céu sem nuvem. De alguma forma, eu era importante pra você e esse olhar era que dizia sem nem precisar de sujeito e predicado. Sem nem precisar ligar o alarme ou por anúncio na tv. Era simples e ponto final. Tinha vontade e tinha verdade. E tinha também um sorriso instantâneo que era todo e só pra mim. Você costumava ter um amor... quase que incondicional pra pouco tempo de vivência. Eu fui deixando os medos se perderem no caminho e segui com a confiança que você me emprestava vezenquando a cada ocasião que perdoava os meus tropeços sem pestanejar. Eu fui me acomodando ao seu abraço e me fazendo completa a cada ameaça de beijo. Eu fui, fui feliz distraidamente, pela naturalidade do nosso sentimento e, mais ainda, pela intensidade do que a gente queria viver pela frente. Fui te fazendo de base pra vida toda até perceber que junto com os medos alguma coisa boa também se perdeu. Sobrou esse monte de insegurança e desespero que transbordam em cada maldita crise de afastamento. E acabei me dando conta que depois de todas as coisas boas e ruins, você nunca revelou seu atual estado de espírito. Daí, já nem sei se você me coloca nos seus planos de futuro porque é assim que realmente imagina ou se é porque eu estou na sua frente e, no fundo, não quer me ver chorar. Há quanto tempo você não liga só pra dizer que tá com saudade? Aliás, você chega a sentir saudade alguma hora por dia? Não sei se tenho muito mais tempo para essa brincadeira besta de mostrar ao outro que pode ficar sem ligar dois ou três dias sem nem sentir falta de nada. Eu sinto. Não tenho mais tempo para ser colocada na lista de espera. E me perdoe o excesso, se é assim que pensa. É que a última coisa que eu queria era ter que enfrentar o mundo sem a sua força. A última coisa que eu quero é ter que me desacostumar de você. Aí talvez eu não queira nem sobreviver.

f.

11 de jul. de 2013

Que eu te amo


Acabei de desligar o telefone, arrependida de minha boca ter calado o óbvio. É que eu ainda não aprendi a censurar o meu orgulho quando ele brinca de imperar a minha sensibilidade. Você deveria saber que eu fui criada como filha única, mesmo não sendo, e esse descuido foi suficiente para refletir na forma como eu gosto de ser tratada. Eu bem sei que a sua alma livre não se prende a certos padrões de posse, mas, às vezes, essa tentativa de monopólio é a única coisa que me resta para me fazer sentir segura quando você insiste em permanecer longe. Deixa isso para o tempo. Se eu pudesse, pedia para ele nem passar por nós, ou pelo menos pra ele passar longe e desatento pra vida passar a ser suficiente. Igual a quando a gente ta junto e tudo, tudo, tudo tem cheiro e cor de infinito. Mas parece que a garganta engole o discurso e o inconsciente mina a lucidez. Desculpa se eu não consigo falar das coisas boas. Eu me ponho para fora é nesses estados tolos de dores eloquentes e desnecessárias. É que eu me armo com palavras idôneas, outras dissimuladas, para me expor da forma mais dilacerante possível. E torço para você não ver, para você não ler esses pensamentos desmesurados e desconcertantes. Para você não saber que a minha loucura é maior que o disfarce que me veste como normal aos olhos dos outros e até para você, que depois de tantos transtornos causados por mim, permanece convicto na ideia de dividir a casa quadrada comigo. Agora diz, como fazer pra não surtar quando os planos não saem como a gente imagina? Eu sou drástica, sou trágica, é verdade. Mas o que você não entende é que o que eu já perdi nessa vida me deixou a sensação de que se eu tiver de passar por tudo de novo, talvez eu não sobreviva. E eu preciso viver enquanto você estiver ao meu lado. Então agora você já deve imaginar qual é o meu medo, não? É o que estou sentindo agora pela minha boca ter calado o óbvio.

f.

18 de fev. de 2013

Do que eu não soube dizer na hora certa


A casa já não é a mesma, a bagunça agora é só minha e eu ando a passos breves entre pó e histórias procurando outros espaços para me esvaziar. Não sei para qual direção posso confessar os restos do amor que se esgotou, mas voltar atrás é declarar um interesse que não existe por alguém que não merece olhares desatentos nem respostas monossilábicas.
Entendo que o seu lado da história me julga a pior vilã de todos os romances que pareciam ser feitos para darem certo. Sei que cartas não bastam, pedidos de desculpa não apagam as centenas de planos que foram postos no lixo e a sinceridade é apenas uma mentira lavada que não convence e muito menos consola. Mas tinha que, de algum jeito, tentar localizar os muitos pontos que ficaram perdidos entre os destroços e colocá-los de volta em seus respectivos lugares.
E o primeiro deles é que valeu a pena. Eu desisti porque perdeu o sentido. Para mim, pelo menos. E não foi pelas vezes que você interrompia minha fala com beijos. E não foi por seus defeitos, eles sempre neutralizaram minha chatice excessiva e atitudes imaturas conduzidas por razões egocêntricas. A gente se guiava por um amor errado, que nos levou pelo caminho mais difícil e por isso mesmo inteiramente válido.
O afeto não acabou com um game-over e não é um final de jogo que estampa o nosso adeus. Assim, voltaríamos ao princípio sem sequer um sinal de aviso, sem nem uma linha escrita para provar que a gente viveu de verdade. E o que eu quero é que você possa começar de novo usando tudo o que você aprendeu com a nossa brincadeira séria de ser o melhor pro outro. O que eu espero é que você ultrapasse a vontade de sentir pena de si mesmo e achar que fez tudo errado por as coisas não terem dado certo.
No final das contas a gente deu certo da nossa forma torta. E agora é hora de voltar ao ponto de largada e tentar fazer as pazes com a nossa fé no mundo. Sim, porque esse recomeço também é meu, então torço de mãos juntas para que você não nos arremate como erro de percurso.
Dizer que não te amo mais não quer dizer que o amor acabou. Ele apenas se converteu para outra forma de sentir. Por tudo que a gente decidiu arriscar um no outro, pela chance de segurar sua mão e percorrer um quarto desse caminho ao seu lado eu só posso desejar que a gente encontre uma saída da forma mais serena possível. Mas, que a vida não deixe de acontecer intensa em todas as suas porções. Que a dança não pare com a pausa da música e que você aprenda a levar consigo a eternidade dos abraços somente até quando lhe fizerem bem.

f.



17 de mar. de 2012

Aos intrusos


Não venha me falar quem eu devo ser, não ouse ditar meus modos como uma mãe educando um filho, não sou sua filha, nem chego a ter algum parentesco com você. Então, não confunda sinceridade com intromissão. Não queira desordenar meu ecossistema, isso já é cruzar a linha do bom senso. Onde foi parar o respeito? Não diga que eu deveria ser mais simpática ou espontânea, não recrimine minha quase misantropia, não fale mal do meu gosto por filmes europeus e asiáticos, nem me olhe torto pelo casamento não estar entre as minhas prioridades. Eu não preciso retornar as suas ligações, ou empregar alguma reciprocidade nesse relacionamento. Somos dois desconhecidos, nada mais, e você já pensa em me afastar da minha natureza! Então deixa eu te alertar: não me ajusto a condicionamentos fabricados por serpentes ávidas em forçar seus interesses sob ameaça de seu veneno. Ou simplesmente não me ajusto a qualquer condicionamento fabricado, a não ser por mim. Eu sou a essência que me conduz e não admito que ninguém se atreva a conduzir minha essência. E isso não é intransigência, apenas uso minha condição de ser livre a meu favor. Não me apetece ser mais uma amostra grátis no mercado, sou uma tecnologia avançada para o que te cabe, edição Deluxe. Não sou para todos, nem para qualquer um. Fujo de relações forçadas, amizades forçadas. Portanto, não tente podar meu livre arbítrio, porque eu vou me afastar. Não tente me enquadrar em resoluções sociais falidas, porque eu vou me afastar. Não haja como se soubesse o que é melhor para mim, porque eu vou me afastar. Esse tipo de solidariedade eu dispenso. Quero não, obrigada! Eu gosto de pensar por mim, faço questão de usufruir até a última gota de liberdade que me pertence e não adianta me pressionar a sentir o que não sinto. Entende? Não? Tanto faz, porque não estou pedindo sua aprovação.

f.

21 de mai. de 2011

E quem disse que é justo?

As pessoas costumam usar muito a própria incredulidade e não confiar em ninguém a não ser nelas mesmas porque o mundo é conduzido por mentiras e meias verdades e todos sabem disso eles ficam com raiva se você diz que não pode porque para eles é uma desculpa pra você é circunstância aí vem você com uma ingênua pompa de integridade e revela que está passando por maus momentos que está fodido mesmo mas tentando se reerguer e só quem fica do teu lado são aqueles teus dois amigos mais íntimos no mundo que ainda tentam te ajudar de longe porque no final ninguém quer se comprometer com nada e você segue tentando tirar do bolso seus últimos centavos de esperança é difícil compreender o quanto a hostilidade afasta as pessoas umas das outras e delas mesmas e você se joga ao vício e alcança o fundo em questão de segundos logo você que deveria ser uma máquina se descobre apenas humano sozinho ferido mas com a capacidade de emergir de novo sempre que a necessidade exigir mas disso você ainda não se deu conta porque o fundo cega inibe a vontade e inspira o medo por um tempo você vai continuar só olhando as sombras na parede até enfim chegar a claridade ou à claridade e virão mais batalhas mais inimigos mais coisas podres e você terá que enfrentar tudo isso de novo e de novo e de novo mas você é feito de tentativas e sempre tem um sonho esquecido que pode vir à tona ou um novo e sonhos sempre te movem à superfície apenas lembre-se de não sonhar de mais sonhar de mais te deixa vulnerável e você precisa manter as perspectivas no eixo pra não apanhar novamente e você não quer embora seja inevitável às vezes você não quer... E posto isto, meu caro, posso lhe dizer como você termina: forte!

f.

27 de abr. de 2011

Incômodo



O mal é que eu me importo se você não se importa. E isso reflete mais que uma simples dor no ego, transgride qualquer princípio de autoproteção, é a fraqueza que eu gostaria de dispensar e não olhar para trás. Mas você tem essa capacidade de me fazer sentir melhor do que eu sou e esmagar meus medos e dúvidas. E ser tão intenso, tão real. Eu até penso que estou vivendo um sonho... São apenas fragmentos e idealismos vãos de como a gente podia dar certo. Talvez o ‘nós’ esteja escrito só para mais tarde e você já tenha compreendido isso. Ou pode ser que eu não esteja querendo ver a verdade através das mudanças de assunto, respostas desinteressadas e ausências constantes. É difícil entender. É difícil aceitar. É difícil seguir em frente. Você nem imagina o quanto isso incomoda. 

f.

3 de mai. de 2010


Ela sempre acreditou que a Felicidade se escondia em algum lugar dentro de si mesma. Ela tinha o poder de evocar essa tal felicidade quando quisesse, ela sabia. E mesmo quando a Felicidade, acanhada por si só, se recusava a se mostrar, ela tinha certeza que aquilo era temporal. Até a Dona Felicidade vivia seus dias mais reservados. Mas naquele momento, naquela determinada ocasião, ela sentia, pelo sentimento que se transfigurava em vazio, que a Felicidade não mais coexistia consigo...

f.

Layout: Bia Rodrigues | Tecnologia do Blogger | All Rights Reserved ©