10 de nov. de 2011

Só mais uma aventura

Tropecei nessa vontade de ir embora. Na necessidade de abrir as portas de outros mundos.
Estava buscando ser diferente, ir um pouco além de mim. Ansiava experimentar novas atitudes, ir atrás de um eu que eu nunca fui.
Então fiz as malas e me despedi do espelho. E até que não foi difícil, eu estava realmente decidida.
Peguei o táxi, era cedo para tecer qualquer resultado, e o medo, também deixei para trás, ele que sempre fez tanta parte.
Mas não podia haver qualquer dúvida e mesmo que ela estivesse o tempo todo lá, eu me rendi.
E foi distinto em cores e compassos.
E não precisou de muitas palavras, nem pretextos.
Nada ensaiado, delineado, esperado.
Apenas o encontro e a entrega.
De repente perdi o fôlego.
A intensidade do toque, do sabor, da contemplação.
E então o desejo de ir adiante. De arrancar mais daquela experiência.
Embora tenha me machucado em algum momento, não consegui me arrepender.
Só não esperava me reencontrar tão rápido.
E isso me fez pensar...
Eu nunca estive verdadeiramente longe de mim.

f.

3 de jun. de 2011

Tão simples como um ponto final

Eles se conhecem sem exatamente se distinguir.
Eles passam a ter expectativa.
Eles descobrem afinidades e diferenças.
Eles vão juntando planos, reinventando sonhos, cedendo mais espaço pro outro.
Eles se percebem aparvalhados, atrapalhados, apaixonados.
Eles brincam de se encontrar e adivinhar o futuro.
Eles combinam que a extensão de quilômetros que os separa é a mesma que os aproxima.
Eles entendem que essa realidade não é tanto o que se define como ideal.
Eles começam a vacilar.
Eles decidem experimentar, expandir, almejar, um pouco mais independentes.
Eles notam o quanto a distância aumenta, e desta vez, não há movimento contrário.
Eles acham que o outro não se importa.
Eles fingem, dissimulam, ou eles esperam, confiam?
Eles acabam se perdendo.
Eles não acontecem mais.

f.

2 de jun. de 2011

Ali, por trás do crachá e do uniforme, estava seu eu verdadeiro, guardado em segredo, acumulando-se em silêncio.

[Terceira Parte - Reparação]
Ian McEwan

21 de mai. de 2011

E quem disse que é justo?

As pessoas costumam usar muito a própria incredulidade e não confiar em ninguém a não ser nelas mesmas porque o mundo é conduzido por mentiras e meias verdades e todos sabem disso eles ficam com raiva se você diz que não pode porque para eles é uma desculpa pra você é circunstância aí vem você com uma ingênua pompa de integridade e revela que está passando por maus momentos que está fodido mesmo mas tentando se reerguer e só quem fica do teu lado são aqueles teus dois amigos mais íntimos no mundo que ainda tentam te ajudar de longe porque no final ninguém quer se comprometer com nada e você segue tentando tirar do bolso seus últimos centavos de esperança é difícil compreender o quanto a hostilidade afasta as pessoas umas das outras e delas mesmas e você se joga ao vício e alcança o fundo em questão de segundos logo você que deveria ser uma máquina se descobre apenas humano sozinho ferido mas com a capacidade de emergir de novo sempre que a necessidade exigir mas disso você ainda não se deu conta porque o fundo cega inibe a vontade e inspira o medo por um tempo você vai continuar só olhando as sombras na parede até enfim chegar a claridade ou à claridade e virão mais batalhas mais inimigos mais coisas podres e você terá que enfrentar tudo isso de novo e de novo e de novo mas você é feito de tentativas e sempre tem um sonho esquecido que pode vir à tona ou um novo e sonhos sempre te movem à superfície apenas lembre-se de não sonhar de mais sonhar de mais te deixa vulnerável e você precisa manter as perspectivas no eixo pra não apanhar novamente e você não quer embora seja inevitável às vezes você não quer... E posto isto, meu caro, posso lhe dizer como você termina: forte!

f.

1 de mai. de 2011

Quando chove

Que chova lá fora e que seja bem longe de mim. Que chova de mansinho e só de vez em quando que é pra purificar. Que traga o conforto quente de ter alguém por perto. E a esperança que amanhã será verde e pulsante. Que deixe o carinho de um amigo antigo. E sirva para recuperar prazeres perdidos no tempo, ou na falta dele. Que estimule os sonhos. Que faça nascer a beleza das pequenas coisas. Que acalme a alma e o coração. E se tiver que chover por dentro, que chova devagar e bem raramente. Que traga o consolo forte de uma mão ou um ombro se for necessário. E a fé para não desistir. Que deixe o apoio de um amigo próximo. E sirva para rever atitudes e idéias. Que mostre caminhos melhores e ensine a ver a vida de forma diferente. Que eleve a alma e o coração.

f.

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