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25 de mar. de 2012

Super-homem



[...]

-Amar é meio parecido com ser um super-homem, porque você rasga o peito e abre o coração para que a pessoa possa morar ali incondicionalmente. Ela passa a ser a humanidade que você deseja acalentar e seu sorriso se torna o melhor pretexto para você subir até sua janela todas as noites. Aliás, você poderia voar o mundo se quisesse, mas troca qualquer maravilha só para estar perto de quem você pertence, mesmo que do outro lado do vidro. E você usa sua super força para tirar de órbita tudo o que pese na alegria dessa pessoa. Enfrenta qualquer perigo para tê-la segura e sua capa persiste em, um dia, servir de abrigo onde ela possa descansar. Você lamenta se ela escolhe outro herói, apesar disso, se regenera diante de sua felicidade e ainda assim entrega sua própria vida para poupar lágrimas no rosto dela. Você se reconhece nos olhos da pessoa, pois ali estão contidos todos os segredos do universo. Eles são a sua kryptonita, te deixam vulnerável, mas você não se importa de sangrar de vez em quando. Você tem os seus sonhos todos os dias ao seu lado e eles parecem não perceber que deveriam se tornar reais, no entanto, você não tem pressa, já que sonhos precisam ser conquistados. Você quer ser notado sim, pelo seu lado humano, não por super poderes.  

-Huum, então é por isso que os heróis não revelam sua identidade, porque os verdadeiros heróis não procuram recompensas para o que fazem de graça.

-Isso. Pena que nem todos são de aço para entender.


f.

27 de fev. de 2012

Promessas não cumpridas


- Quando é seu aniversário?
- Eu já te falei.
- Mas fala de novo!
- Para você esquecer?
- Para eu lembrar.

(...)

Para muitos, só um dia normal. Mais um. E ainda acho que eu deveria pensar como a maioria. Mas amanheci diferente, meio esperançosa de algo. Na verdade, estou atolada de trabalho, a casa clama por uma arrumação e parece que tenho cada vez menos tempo para mim, para tudo. Mas, não, não. Não é tão grave assim. Hoje eu tô um tanto mais exagerada também. Me preenche essa sensação auspiciosa, ainda que o momento seja tudo, menos perfeito. Aliás, eu nem deveria estar reclamando. E não estou, juro. Eu tenho casa, trabalho e... família, amigos, livros, viagens, histórias legais para contar. Me encontro aqui em frente ao computador, tentando finalizar esse projeto que já deu tanta dor de cabeça. Curioso como as idéias nunca aparecem antes da maldita dor de cabeça. Mas veja você, nos últimos meses tenho sido invadida por conceitos demasiados românticos. O que eu dispenso em assuntos profissionais. E eu sei que isso advém de uma expectativa imensa pelo dia de hoje.


- O problema não é o aniversário. O problema é se você vai se lembrar de mim.
- Por que você diz isso?
- Você acha que nós estaremos juntos até lá?

(...)

Essa inquietação boba foi o dezembro incrível que me marcou. Ainda bem que sou resistente. No exercício da rotina, eu ainda consigo encontrar uma paz branda que me move adiante. E o pessoal fez questão de me levar para comemorar depois do batente. Meus amigos compõem boa parte dessa minha força. Bem agora estou rodeada de serezinhos confiáveis e loucos. São poucos, porém preciosos. Eles nem imaginam que a minha mente está em algum lugar onde a primavera sorri. Mas é inevitável pensar naquele rapaz. E se ele soubesse que eu continuo usando aquele sabonete só porque ele gostou do perfume, e que eu experimentei aquele corte mais reto só porque ele dizia que combinaria comigo? E se ele soubesse que eu continuei esperando?


- Não sei. Eu só quero que você sinta que é importante.
- E sou?

(...)

Sim. Eu sou feliz. Não duvide disso. Não veja mal humor ou vestígios de depressão aqui. Só queria algo que o trouxesse para perto. Que fizesse essa saudade fazer sentido, pois de nada adianta sentir falta se não estiver disposto a exaurir o afastamento. E dessa vez não serei eu a abrir mão, mesmo querendo me sentir importante para ele. Como ele prometeu. Então, essa é a 46871313168468ª vez que olho para o celular por uma mensagem que não chega, uma chamada que não me congela até os ossos. E me vejo agora na cena célebre do filme 500 Dias Com Ela, quando a expectativa não corresponde à realidade. Mas continuo com o whisky na mão, sorriso torto no olhar e ele no pensamento. Tudo ao redor é como tem de ser. E essa espera, no final, é só vontade. O telefone não tocou e eu já nem me lembro como a conversa termina.

f.

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