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1 de jun. de 2012

Eu espero


Eu ia dizer que te amei muito, aí lembrei que o verbo no pretérito é somente a mentira na qual eu me forço a acreditar. Hoje, a gente só divide a distância, mas já houve época em que o céu não cobria tanta afeição. Queria ter notado depressa quando o recíproco virou platônico, assim evitaria uma porção de pedidos jogados ao alto para você me querer um pouco além de mãos dadas e beijo na testa. 
Presto atenção em qualquer carro que passe pra ver se você está dentro, parece que ainda espero por uma carona no banco da frente. Não tem jeito, esperar é só o que me resta. Você não imagina o quanto esta cidade é triste. Ela não tem você, assim como eu, assim como nuvens baixas; aprendemos a chorar todos os dias. 
Aqui só existe uma ausência cheia de perfume seu. Falta a solidez para proteger meus delírios, a inclinação pra transformar tudo em mágica. Já peguei o telefone incontáveis vezes no impulso de te perguntar se você ainda topa, se ainda está disposto a me acompanhar naquela fantasia louca de querer ir à guerra ser correspondente, mesmo que meus pés estejam bem fincados nessas ruas calmas e a única guerra que amargo venha de dentro de mim. 
Pensei, então, em voltar aí pra te narrar a historinha da menina que se apaixona pelo melhor amigo e foge porque tem medo da rejeição, mas sou vencida por esse medo da mesma forma que sempre te escrevo essas cartas e as guardo dentro do peito. Tanta gente amando mais, se doando mais, e fazer parte da estatística não é opção. 
Não podia suportar outro minuto te ouvindo falar sobre a garota por quem você atravessaria o país para encontrar. Era tão difícil assim olhar pro lado e perceber que você não precisava nem dar meio passo pra achar alguém que cruzaria googols de terras por você? Não acho certo ter tanta vergonha de sentir, é tão insano, um amor tão bonito não devia precisar de disfarce, mas não tenho certeza que se eu disser você vai querer também. 
Prefiro não pensar que seu futuro não combina comigo. Renunciei aos milkshakes, ao banco da praça e ao seu abraço quente de apenas amigo; afastei-me para ver se você tem vontade de juntar a gente com algo mais forte que cola Super Bonder e nó de marinheiro. Preciso da sua vontade de ficar comigo. Do contrário, vou continuar acordando todos os dias morrendo de falta sua, tentando manter o sentido nessa espera e confiando, sei lá até quando, que o destino irá atrair o tempo certo pra nós dois, porque eu não sei dizer adeus.

f.

3 de mai. de 2012

A você que escolheu ser mais um


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Eu poderia te jogar na cara todas as lágrimas que juntei em baldes só para medir o tamanho da sua indiferença. Eu poderia fazer uma exposição detalhada de todos os dramas montados para denunciar os tipos de vilão que você interpretou. Eu queria te arrastar até a cena dos crimes que você cometeu só para te mostrar quantas esperanças você matou em mim. E eu poderia me tatuar com uma amargura infindável para não esquecer o meu ódio e toda a mágoa que tomou o seu lugar.
Você usou uma lábia pronta para amortecer minha insegurança e conquistar territórios. Fantasiou-se com romantismo e me fez pensar que era o homem perfeito para qualquer mulher. Uma amarração frágil, uma carência mal entendida e lá estava eu sentindo tudo que não devia por você. Mas, você soltou minha mão no meio de um labirinto, e o que a gente tende a experimentar quando alguém nos abandona é o amor que fica não o que vai embora. A aspiração nessa hora é automaticamente esmagar os bons momentos com decepção e raiva.
Eu não fui exceção. Eu não ganhei o artigo definido antes da pessoa, da mulher, do sentimento. Tampouco reinei ao seu lado enquanto acreditava estar com a coroa na cabeça. Demorou até eu compreender toda sua sinceridade fingida e demorou até me por no meu devido lugar na lista de prioridades. Eis o porquê de te escrever essas linhas. Finalmente, posso ser franca sem a interferência de qualquer ressentimento que me reduza à mediocridade.
Admito que fui condescendente com as suas teorias sobre tudo,  escancarei portas, janelas e portões, eu deixei, eu quis, eu fui cúmplice e sem o seu incentivo eu não teria chegado tão longe. É por isso que me faço em palavras, preciso te dar o reconhecimento por ter me preparado para o mundo. Pessoas são feitas de marcas e você me cravou algumas que converti em meu benefício. Agora eu sei que cicatrizes são uma espécie de armadura que nos tornam menos relapsos. 
Obrigada por tantas vezes ter sido meu estímulo para levantar da cama e enfrentar meus pequenos monstros. Depois que o efeito passou, eu simplesmente deixei de ser menos para ser nada menos que o meu melhor. Mas você me ajudou a crescer, a andar sem muletas sentimentalistas, a rever parâmetros e priorizar urgências. Eu estou enxergando o mundo com outras lentes agora e o coração palpita livre dos restos ruins.
Não te culpo mais pelas minhas tragédias pessoais, infernos e melodramas. E isso me faz um bem sem precedentes. Deixar você ir foi como defenestrar um tanto de tralha imenso cujo prazo de validade havia expirado. Voltei a me deparar com tipos iguais ao seu e me orgulho de levar na bagagem a sua lição.  Antes que você questione, é de experiência que estou falando, garoto. Você me impulsionou a subir os degraus, pode se orgulhar! Você valeu a pena porque despertou em mim a necessidade de me fazer feliz acima de tudo.

f.

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